AMOR - 4 SÉRIES X 8
Não adianta. Mudam-se as cores do inverno, os sorrisos, as páginas das
revistas, as dez mais bonitas. Mudam-se as tecnologias, as manchetes, o
preço do pão, o jeito como você corta o cabelo. Mudam-se os sonhos, o
clima lá fora, o tom do batom, a decoração, o que você espera de si
mesma. Tudo muda o tempo todo. Mas uma coisa não muda. Não sai de moda.
Não fica velho, nem ultrapassado. Quer saber? Acho amar a coisa mais
eterna que existe. Não há nada mais moderno. Mais transgressor. Mais
ousado – e mais antigo - que isso. Num tempo onde as pessoas mal têm
tempo, amar virou coisa de gente corajosa. Porque é preciso muito peito
(e muito jogo de cintura) para seguir o que temos de mais criativo: o
coração. É o amor que nos faz ver o mundo de um jeito mais belo. E é o
amor (e só ele!) que nos traz o valor exato das coisas simples. E você
não precisa necessariamente amar uma pessoa. O amor é democrático. Você
pode – e deve – amar a si mesmo e ao mesmo tempo amar alguém (essa, sim,
é a melhor combinação!). E também amar a vida. Amar um projeto. Um
trabalho. Um sonho. Ou – porque não? – simplesmente amar o amor. Se todo
amor vale a pena? Eu acredito que sim. O mundo não está triste só por
causa das guerras, do superaquecimento global e do tal “salve-se quem
puder” As pessoas se escondem atrás das tecnologias e de um falso
liberalismo pra camuflar seus medos. Para enganar seus desejos. Ah, me
desculpem, mas no fundo todo mundo quer mais é se apaixonar! Mentira
minha? Duvido. Todo mundo quer amar, todo mundo quer encontrar alguém
especial, todo mundo quer se livrar do medo que nos impede de andar de
mãos dadas. É certo que há quem prefira o morno, os relacionamentos
superficiais, as noites vazias. (Relacionamentos trazem tantos problemas
e alegrias quanto estar só, isso é uma verdade). Mas tenho a impressão
de que todos nós temos um leve romantismo escondido, um desejo real pelo
amor, uma necessidade de amar e ser amado sem a qual a vida não teria
graça. (E não haveria tantos poetas, tantas canções bonitas e tanta
insônia por aí). Escrevi, uma vez, uma letra onde canta a seguinte
frase: “Será que amar é mesmo tudo”? Na época eu não saberia responder.
Mas, hoje, cheguei a uma breve conclusão: não, amar não é tudo. É quase
tudo. Amar é o começo. O primeiro parágrafo. A primeira nota. É o que
canta (e encanta). Amar é que nos faz falar. É o que nos faz acordar. É o
que nos faz dizer “Bom dia” com o sorriso mais livre do mundo. Se eu
estou amando? É, devo admitir. Depois de vários romances sem fim, me
apaixonei por mim mesma. E, como presente, ganhei um novo amor que é
fruto de todos os grandes amores que tive. Sorte minha? Talvez. Mas amor
não é apenas sorte. Não pensem também que amor é a solução pra todos os
nossos problemas. Não. Amor não é solução. Amor é prêmio. Recompensa
feliz para quem – afinal de contas – conseguiu manter-se fiel a si
mesmo. Por isso, escrevo esse texto. Em uma época em que os desejos
duram o tempo de uma estação, acho o AMOR o exercício mais radical que
podemos fazer.
(O coração agradece!)
- Fernanda Mello
Nenhum comentário:
Postar um comentário